Com a HugeCloud, empresa de cibersegurança aposta em cobrança em real, dados no país e anti-DDoS incluso para disputar espaço com hyperscalers

A Huge Networks, empresa brasileira de cibersegurança fundada em 2014, entrou no mercado de computação em nuvem com a HugeCloud, plataforma desenvolvida integralmente no Brasil e com zonas em São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e Porto Alegre. O objetivo é disputar clientes com os hyperscalers, como o mercado chama os grandes provedores globais de nuvem, apoiada em um ativo raro no setor: uma rede própria entre as maiores do país.

Dados de setembro de 2026 do bgp.tools, plataforma que monitora o roteamento da internet, colocam a Huge em quinto lugar no Brasil em AS Cone. O indicador mede quantas redes chegam à internet por meio de uma determinada infraestrutura, e a empresa soma cerca de 1.400 sistemas autônomos no seu cone de clientes. Nessa lista, ela fica atrás apenas de Vivo, Claro e Algar, e à frente de TIM, V.tal e Giga+. No mesmo levantamento, aparece em quarto lugar no país em Known Peers, que contabiliza conexões diretas com outras redes. No ranking global, ocupa a 55ª posição em AS Cone e a 22ª em Known Peers.

A posição se destaca porque a Huge não é uma operadora de telecomunicações. A empresa protege mais de mil companhias e opera uma rede de mitigação de ataques com capacidade superior a 30 Tbps. Em 2026, foi classificada como Product Challenger em XDR (Extended Detection and Response) pelo ISG Provider Lens, estudo da consultoria ISG (Information Services Group) que avalia provedores de tecnologia. Em setembro, recebeu da BSI (British Standards Institution) a certificação ISO/IEC 27001:2022, padrão internacional de gestão de segurança da informação.

“Passamos mais de uma década construindo uma rede para proteger empresas de ataques. A parte mais difícil de uma nuvem, que é a infraestrutura de rede, nós já tínhamos. Faltava colocar computação em cima dela”, afirma Erick Nascimento, CEO e CTO da Huge Networks.

O lançamento acompanha um mercado em expansão. A IDC (International Data Corporation) projeta que o segmento brasileiro de IaaS chegue a US$ 4,4 bilhões em 2026, crescimento de 18,5% sobre o ano anterior. Ao mesmo tempo, controlar a conta virou prioridade para as empresas. Na pesquisa State of the Cloud 2026, da Flexera, 85% dos entrevistados apontam a gestão de custos de nuvem como o principal desafio, e o desperdício estimado subiu para 29% dos gastos, a primeira alta em cinco anos.

A HugeCloud foi montada em torno desse problema. A cobrança é feita em reais, sem exposição ao câmbio, e os planos já incluem o tráfego de saída, a tarifa pela transferência de dados para fora da nuvem que costuma pesar na fatura. O contrato também inclui SLA (acordo de nível de serviço) e suporte 24 horas por dia, sete dias por semana, feito por engenheiros em português.

“O diretor financeiro precisa saber quanto vai pagar no fim do mês. Com a fatura em dólar e o tráfego cobrado à parte, esse número vira uma estimativa. Nós cobramos em real e colocamos o tráfego dentro do plano”, diz Nascimento.

A soberania de dados é o segundo argumento. Com as zonas instaladas no país, os dados ficam no Brasil, sob a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), e a poucos milissegundos do usuário final. O tema ganha peso também fora do Brasil. O Gartner estima que os gastos globais com infraestrutura de nuvem soberana cheguem a US$ 80 bilhões em 2026, alta de 35,6% em um ano. Segundo a consultoria, a demanda por geopatriação deve levar 20% das cargas atuais de provedores globais para provedores locais, com governos, setores regulados e infraestrutura crítica à frente desse movimento.

O terceiro pilar vem da origem da empresa. A HugeCloud nasce dentro da mesma rede que mitiga ataques de negação de serviço, e a proteção anti-DDoS entra em todos os planos. O cliente não precisa contratar a segurança depois de subir os servidores.

“O caminho comum é a empresa contratar a nuvem e depois sair atrás de proteção. Aqui a ordem se inverte. O servidor já sobe dentro de uma rede que mitiga ataques todos os dias”, afirma o executivo.

A HugeCloud chega ao mercado com um histórico que pesa na hora da decisão de compra: mais de mil empresas já confiam à Huge a proteção de suas operações, e cerca de 1.400 sistemas autônomos estão ligados à sua rede. Essa trajetória funciona como credencial para um público mais amplo, o de companhias que procuram na nuvem custo previsível, dados no Brasil e segurança desde o primeiro servidor.

Dona de uma das cinco maiores redes do país, Huge Networks lança nuvem própria