Num estado em que fazenda sempre foi sinônimo de trabalho, o lazer de alto padrão ganhou outro desenho. Às margens do Lago Corumbá IV, em Abadiânia, a Fazenda do Lago, do Grupo CPR, prevê haras, golfe e marina no mesmo território de cerrado

A casa de campo do goiano está mudando de formato. Entre os Censos de 2010 e 2022, os imóveis de uso ocasional em Goiás, categoria do IBGE que reúne as casas de fim de semana, férias e descanso, passaram de 113.455 para 245.616, alta de 116%. Hoje respondem por 7,6% dos domicílios do estado, acima da média nacional, de 7,4%.

Por muito tempo, essa casa teve endereços conhecidos: a chácara nos arredores da cidade, as águas termais de Caldas Novas, o casario de Pirenópolis. Para muitas famílias, era a própria fazenda, onde o descanso dividia espaço com a lida, o gado e a manutenção da estrada.

No entorno do Lago Corumbá IV, começa a aparecer outra ideia de fazenda: uma em que ninguém precisa acordar cedo para consertar cerca, cuidar do poço ou resolver a folga do caseiro. A estrutura que cada família mantinha sozinha, do cavalo ao barco, passa a ser compartilhada e cuidada como clube.

É a proposta da Fazenda do Lago, empreendimento do Grupo CPR em Abadiânia, às margens do Corumbá IV. São 2,8 milhões de metros quadrados de cerrado à beira d’água, no eixo da BR-060, a 47 quilômetros de Anápolis, cerca de 100 de Goiânia e 109 de Brasília, segundo a incorporadora. O projeto empresta da fazenda goiana o repertório, o cavalo, o campo aberto, a água e o horizonte, e deixa de fora a obrigação do trabalho.

O cavalo, o campo e a água

O haras ocupa lugar central no masterplan, descrito pelo empreendimento como o espaço do “passo do lugar, sem pressa”. Ao lado dele estão previstos um campo de golfe de padrão internacional, com driving range, academia e clubhouse, uma marina, um clube de tênis e uma vinícola. No lugar da lista de amenidades, a lógica é de rotina: o golfe, diz o material do projeto, é “calendário, não esporte”.

O descanso também tem lugar próprio. O plano reúne um centro de bem-estar com spa, academia, piscinas aquecidas, trilhas e espaços de meditação e yoga, um kids village e um hotel dentro do clube. Como resume o material do projeto, “o fim de semana não acaba no domingo”.

A água completa o desenho. Formado pelo reservatório da usina de Corumbá IV, em operação desde 2006, o lago tem cerca de 173 quilômetros quadrados de espelho d’água e banha sete municípios goianos, com espaço para barco, pesca e esportes náuticos. Desde 2022, também ajuda a abastecer o Distrito Federal, o que explica as regras para a ocupação das margens: em volta de reservatórios artificiais, o Código Florestal prevê uma faixa de preservação definida no licenciamento ambiental.

Terra como legado

Para a incorporadora, o território vem antes de qualquer promessa: a área foi escolhida pela vista, pela água perene e pela localização, e a infraestrutura segue a mesma ordem. O projeto prevê energia, fibra e água em rede enterrada nas 23 vias internas da primeira fase, sem postes na paisagem. O masterplan soma 803 lotes em sete fases; a primeira, com 472 lotes em 32 quadras e lotes de 600 a 5.000 metros quadrados, está registrada em cartório.

O plano inclui ainda itens pouco comuns no interior: base da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros de Goiás, em projeto, posto de combustível previsto dentro do loteamento, eletroposto junto ao acesso, heliporto e ambulatório. Para quem conhece a rotina de uma fazenda, são as respostas às perguntas de sempre: quem cuida da segurança, onde abastecer e o que fazer numa emergência.

“Em Goiás, fazenda sempre foi sinônimo de trabalho. O que estamos construindo é a fazenda do convívio: o cavalo, o lago e o fim de tarde com os amigos, sem a lida e sem a porteira para cuidar”, diz Marlon Ceni, CEO do Grupo CPR.

Para ele, é a estrutura que define quem escolhe o lugar. “A gente não pergunta ao morador se ele usa a estrutura. A estrutura é o motivo de ele estar aqui. O lote é consequência”, afirma.

A entrada também foge do modelo da fazenda tradicional, em que basta comprar a terra. Na Fazenda do Lago, o acesso é por aprovação, por meio de uma curadoria de membros, e a comunidade começa a se formar antes da primeira casa, com eventos e atendimento de concierge desde a aquisição.

Para um estado que construiu sua economia sobre a terra, a novidade está menos no lazer e mais no uso que se dá a ela. A fazenda goiana continua sendo lugar de trabalho. A de fim de semana, agora, quer ser lugar de convívio.

A fazenda do convívio: como a casa de campo de alto padrão em Goiás trocou a lida pelo clube