Durante muito tempo, bastava uma mulher dizer que estava insatisfeita com o formato das mamas para que a primeira solução lembrada fosse o implante de silicone. A medicina evoluiu, o perfil das pacientes mudou e a forma de planejar esse tipo de tratamento também.

Hoje, a busca já não está apenas no aumento do volume. Muitas mulheres desejam recuperar a firmeza perdida após a gestação, corrigir alterações provocadas pelo envelhecimento, melhorar as proporções do corpo ou tratar a flacidez decorrente de grandes perdas de peso, preservando, sempre que possível, suas características naturais.

Esse movimento acompanha uma tendência mundial. O Brasil permanece entre os países que mais realizam procedimentos estéticos no mundo e, ao mesmo tempo, cresce o interesse por resultados discretos, personalizados e que respeitem a anatomia de cada paciente.

Dr. Marco Aurélio Guidugli (Foto: Divulgação)

Para o médico Dr. Marco Aurélio Guidugli, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e especialista em procedimentos mamários, uma das maiores transformações dos últimos anos foi justamente deixar de enxergar a prótese como a resposta para todas as mulheres.

“Durante muitos anos, a conversa começava pelo tamanho do implante. Hoje ela começa pela paciente. Eu quero entender sua anatomia, a qualidade dos tecidos, seu estilo de vida, suas expectativas e aquilo que realmente precisa ser tratado. Em muitos casos, o silicone continua sendo a melhor escolha. Em outros, conseguimos excelentes resultados utilizando técnicas que remodelam e sustentam a mama sem necessidade de implantes.”

Segundo o especialista, o conceito moderno é preservar ao máximo os tecidos naturais e utilizar todos os recursos disponíveis para construir um resultado equilibrado, duradouro e proporcional ao corpo.

Uma das possibilidades é a remodelação da própria mama. Dependendo da quantidade de tecido existente, é possível reposicioná-lo estrategicamente para devolver projeção, firmeza e um contorno mais harmonioso, sem aumentar o volume com implantes.

Outra alternativa envolve o uso de retalhos confeccionados com o próprio tecido mamário. Essas estruturas funcionam como sustentação interna, oferecendo maior estabilidade ao formato da mama e contribuindo para resultados mais duradouros em pacientes selecionadas.

“A cirurgia plástica deixou de ser uma especialidade baseada apenas em retirar pele ou colocar uma prótese. Hoje nós trabalhamos com arquitetura dos tecidos. Reorganizamos estruturas, redistribuímos volumes e buscamos aproveitar aquilo que a própria paciente oferece. É uma abordagem muito mais inteligente e personalizada.”

Quando existe indicação, o tratamento também pode combinar diferentes estratégias. O enxerto de gordura tornou-se um importante aliado para suavizar contornos, melhorar a transição entre os tecidos e proporcionar um aspecto ainda mais natural.

“Hoje não existe uma receita pronta. Existem mulheres diferentes, corpos diferentes e objetivos diferentes. O planejamento precisa acompanhar essa individualidade. É exatamente isso que faz a diferença entre simplesmente realizar um procedimento e construir um resultado bonito, funcional e que permaneça harmonioso ao longo dos anos.”

O especialista também faz um alerta para quem busca informações nas redes sociais. Fotografias de antes e depois podem despertar interesse, mas não substituem uma avaliação criteriosa.

“Muitas pacientes chegam ao consultório acreditando que precisam de um implante, quando, na verdade, o problema é outro. Da mesma forma, há mulheres que imaginam resolver tudo apenas levantando a mama, quando a reposição de volume também será importante. A indicação correta nasce do exame físico, da experiência do cirurgião e de um planejamento individualizado.”

Mais do que acompanhar tendências, a cirurgia plástica moderna caminha para uma medicina cada vez mais personalizada. E, quando o assunto é o contorno das mamas, a melhor técnica nem sempre é a mais conhecida, mas aquela capaz de respeitar a anatomia, oferecer segurança e valorizar a identidade de cada mulher.

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Cirurgia de mama sem prótese: por que cada vez mais mulheres descobrem que o silicone não é a única alternativa?