Quando um casal decide ter filhos, é comum que a atenção se volte para a idade, exames hormonais ou possíveis diagnósticos médicos. Mas o que muita gente não sabe é que diversos fatores presentes na rotina podem impactar diretamente a fertilidade, muitas vezes sem causar sintomas aparentes.

Alimentação inadequada, excesso de peso, tabagismo, consumo frequente de álcool, estresse crônico e até a exposição constante a poluentes e determinados compostos químicos presentes em plásticos estão entre os fatores que podem interferir na saúde reprodutiva de homens e mulheres.

Durante o Mês Mundial da Conscientização da Infertilidade, especialistas reforçam a importância de olhar para a fertilidade de forma preventiva, antes mesmo do início das tentativas para engravidar.

Segundo a Dra. Carla Iaconelli, especialista em Reprodução Humana, muitas pessoas só descobrem a influência desses fatores quando encontram dificuldades para alcançar a gestação.

‘Nem sempre a fertilidade depende apenas de uma condição médica específica. Existem hábitos e exposições ambientais que podem impactar a qualidade dos óvulos, dos espermatozoides e até o equilíbrio hormonal.’

Dra. Carla Iaconelli (Foto: Acervo Pessoal)


Entre os principais fatores que merecem atenção está a obesidade. O excesso de peso está associado a alterações hormonais capazes de prejudicar a ovulação, aumentar processos inflamatórios e dificultar a gravidez. Nos homens, também pode comprometer a produção e a qualidade dos espermatozoides.

O tabagismo continua sendo um dos maiores inimigos da fertilidade. Nas mulheres, acelera a redução da reserva ovariana e afeta a qualidade dos óvulos. Nos homens, está relacionado à diminuição da qualidade seminal.

O consumo excessivo de bebidas alcoólicas também pode interferir na produção hormonal e impactar negativamente a fertilidade de ambos os sexos.

A alimentação é outro fator importante. Dietas ricas em ultraprocessados, açúcar em excesso e gorduras de baixa qualidade favorecem processos inflamatórios e desequilíbrios hormonais que podem prejudicar a saúde reprodutiva.

O sedentarismo também merece atenção. A prática regular de atividade física contribui para o equilíbrio hormonal, auxilia no controle do peso e favorece a saúde geral do organismo.

Já o estresse crônico, embora nem sempre seja uma causa direta da infertilidade, pode interferir no funcionamento hormonal e tornar o processo de tentativa de gravidez ainda mais desafiador.

Nos últimos anos, estudos também têm chamado atenção para fatores ambientais. A exposição contínua à poluição do ar e a determinados compostos químicos presentes em plásticos pode estar associada à redução da qualidade dos gametas e ao aumento de processos inflamatórios.

Outro alerta importante envolve o uso indiscriminado de medicamentos e anabolizantes. Alguns medicamentos podem interferir temporariamente na fertilidade, enquanto os anabolizantes estão associados à redução significativa da produção de espermatozoides.

Para a Dra. Carla Iaconelli, pensar em fertilidade deve fazer parte do planejamento de vida e não apenas do momento em que o casal decide engravidar.

‘O planejamento reprodutivo permite identificar fatores de risco, orientar mudanças de hábitos e aumentar as chances de uma gestação saudável no futuro.’

Mais do que tratar a infertilidade, a informação permite que homens e mulheres façam escolhas conscientes em favor da própria saúde reprodutiva.

Mês da Conscientização da Infertilidade: hábitos silenciosos que podem afetar a fertilidade de homens e mulheres