Quando se fala em perimenopausa, é comum que a atenção se volte para os sintomas mais conhecidos, como ondas de calor, alterações do sono, oscilações de humor e mudanças hormonais. No entanto, existe uma transformação silenciosa acontecendo no organismo feminino que merece igual atenção: a perda progressiva da massa óssea.
Muito antes de uma fratura ou do diagnóstico de osteoporose, os ossos podem começar a perder densidade em consequência da redução dos níveis de estrogênio, hormônio que desempenha papel fundamental na manutenção da saúde óssea. O resultado é um processo que acontece de forma gradual, muitas vezes sem sintomas, mas que pode impactar significativamente a qualidade de vida nas décadas seguintes.

Para a mastologista e ginecologista Dra. Denise Joffily, a prevenção é a principal aliada da mulher nessa fase da vida.
“A perimenopausa é um momento de transição que merece atenção especial. Muitas mulheres estão focadas apenas nos sintomas hormonais mais perceptíveis e acabam deixando de lado uma questão fundamental: a saúde dos ossos. Quanto mais cedo começarmos a cuidar, maiores são as chances de preservar força, mobilidade e independência no futuro.”
Estima-se que a perda óssea se acelere nos anos que antecedem e sucedem a menopausa, justamente em razão da queda da produção hormonal. Embora seja um processo natural do envelhecimento, alguns fatores podem aumentar ainda mais os riscos, como sedentarismo, deficiência de vitamina D, baixa ingestão de cálcio, tabagismo, histórico familiar de osteoporose e menopausa precoce.
Segundo a especialista, o grande desafio é que a perda óssea costuma ser silenciosa.
“Diferentemente de outras condições, a osteoporose não costuma dar sinais nas fases iniciais. Muitas mulheres só descobrem que houve uma perda importante de massa óssea após uma fratura. Por isso, a avaliação médica e os exames preventivos são tão importantes.”
Hábitos que ajudam a proteger os ossos:
• Praticar atividade física regularmente, especialmente exercícios de força e resistência;
• Manter níveis adequados de vitamina D;
• Garantir uma alimentação rica em cálcio;
• Evitar o tabagismo;
• Reduzir o consumo excessivo de álcool;
• Manter o acompanhamento médico periódico;
• Avaliar individualmente as estratégias terapêuticas indicadas para cada paciente.
“Hoje, as mulheres vivem cada vez mais e chegam a passar mais de um terço da vida após a menopausa. Isso torna ainda mais importante pensar em longevidade com saúde. Cuidar dos ossos não é apenas prevenir fraturas. É preservar autonomia, liberdade e bem-estar para continuar vivendo plenamente em todas as fases da vida”, finaliza a Dra. Denise Joffily.
Porque envelhecer bem não significa apenas acrescentar anos à vida, mas garantir que esses anos sejam vividos com movimento, independência e confiança. E essa construção começa muito antes da menopausa se instalar definitivamente.
